O BERÇO DA VIRGEM
(José de Anchieta)

Que novo luzeiro palpita na abóbada estrelada?
Que novo esplendor aclara as regiões da aurora?
Que novo fogo relampeia nas profundezas do céu?
Que nova chama cintila de insólito fulgor?
Que nova luz derrama seus raios pelo mundo em trevas?
Que nova luz nascente ofusca os olhos meus?

Alegra-te, ó Joaquim,
Essa tua filha, um dia, Mãe de Deus
Te tornará o maior de todos os avós!

Rejubila, ó Ana!
Tua filha, guardando intata a virgindade,
Te dará por neto o próprio Deus!

* * *

DOIS POEMAS

Ave-Maria

Raimundo Corrêa
(Maranhão - 13-Mai-1859 – Paris, 13-Set-1911)

Ave-Maria! Enquanto nas Campinas
As boas-noites abrem, misteriosas
Bocas exalam no ar frases divinas
Como suave emanação de rosas...

Ó noivas do infortúnio lacrimosas,
Crianças loiras, mórbidas meninas,
Órfãs de lar e beijos, que piedosas,
Erguei aos céus as magras mãos franzinas!

Quando rezais, às horas do sol posto,
A Ave-Maria, assim, no azul parece
Sorrir-se a Virgem-Mãe dos desvalidos;

Nossa Senhora inclina um pouco o rosto
Para escutar melhor tão meiga prece,
Hino tão doce e grato aos seus ouvidos.

Mater Admirabilis

Djalma Andrade
(Rio de Janeiro – 12-Jul-1923 – 13-Fev-1987)

Quando eu entrei naquela igreja, estava
Nossa Senhora ao pé de Jesus Cristo;
Parecia que a santa me fitava
Como se nunca me tivesse visto.

– Não me conheces, Mãe? – É que eu pecava,
E vim te ver e te contristo:
O resto do teu filho o vício cava,
Mãe, minha Mãe, eis o que sou – sou isto!
Mas noto em teu olhar um certo brilho...
Deixe que eu beije a fímbria do teu manto,
Talvez tu reconheças o teu filho.

Talvez fosse ilusão tudo o que eu via:
Quando, de novo, olhei seu rosto santo,
Nossa Senhora para mim sorria...

* * *

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